
"Os óculos ainda escondem a mesma expressão, o mesmo medo, a mesma incerteza. As coisas que mudam sempre estagnam no mesmo ponto e quem sabe o erro se repita apenas mais uma única vez. Eu sempre quis ser o meu próprio herói, e, na verdade, o sou. Quando me escondo de todo mundo e busco as respostas, quando me escondo de mim mesmo e acho coisas que eu não procurava, quando eu apenas me vejo de uma maneira mais sutil. Talvez eu me importe demais com coisas que eu não devia, mas é que o meu herói interior sempre quer salvar a situação, salvar o mundo e a razão e acaba esquecendo dele mesmo, acaba se perdendo no caminho. Porque então eu deixaria isso me levar se não porque eu preciso disso. Porque eu me deixaria sentir sozinho se não porque isso me faria mais junto, mais completo. Eu sei, eu posso fazer tudo o que eu quero quando ninguém vê e, até mesmo, quando todos me olham assustados pensando nas coisas que eu disse ou pensei. Eu deixei a hipocrisia ali atrás, passei a assumir e sentir o que eu queria e o que eu devia e vou sempre seguir meu caminho assim, na mais quente das sensações. Um dia eu disse que eu tinha a necessidade de sentir a tempestade, grande e turbulenta, o vento forte no rosto. Um dia eu disse que tinha a necessidade de entender porque eu era como o próprio vento. Um dia eu pensei. Lá atrás eu vi coisas e olhei pra tudo novamente. Ainda hoje olho, mas com coisas novas, olhos diferentes. Hoje eu não quero entender porque eu sou como o vento forte de uma tempestade, eu apenas aceito. Aceito assim como algum dia aceitei a dor, o medo, o frio, a ânsia. Hoje apenas o vento vive em mim. Hoje apenas penso nas palavras de uma grande mãe, sábia, que um dia disse: "esse vento da noite é seu, vocês se completam, são um só". E até hoje é assim. Apenas como o vento, circular, ameno e forte. Apenas como o vento..."
PONTO!